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Permita-me abrir e hospedar suas imagens.

Permita-me abrir e hospedar suas imagens.

Em recente comunicado o Google anunciou sua nova funcionalidade do Gmail: Abrir suas imagens automaticamente. Segundo o gigante da tecnologia, agora todas as imagens serão hospedadas nos servidores do Google e passarão por uma varredura e seguirão práticas de segurança para que não haja perigo de você, sem querer, baixar algum malware ou vírus para seu computador ou celular. Resumindo: Você não precisa clicar mais na opção de “msotrar imagens” nos seus e-mails.

A manobra faz sentido do ponto de vista de infraestrutura e carregamento. Cachear as imagens e entregá-las depois faz sentido para mim e deve reduzir o custo de infraestrutura deles.

Porém, segundo a imagem abaixo, algumas regras são adotadas pelo gigante para garantir tal segurança:

gmail_new_policies

Para o usuário, aparentemente todas as mudanças fazem sentido. Tempo de carregamento, segurança, menos spams, porém o que me assusta é o risco gerado para todo um modelo de negócio chamado E-Mail Marketing.

Antes de discutir sobre minha opinião sobre o impacto desta mudança nesta indústria, gostaria de colar aqui 2 slides do Vicente Rezende, Diretor de Marketing da nova pontocom, que falou sobre a importância do E-Mail Marketing para as maiores empresas de e-commerce do Brasil este ano em um dos eventos promovidos pela IAB:

pergunta

resposta

A Novapontocom gerencia os e-commerces: Casas Bahia, Extra, Ponto Frio, Barateiro e Partiu Viagens. Somados, representam mais de 20% do market share no Brasil e fecharam 2012 com 3.7 Bilhões de faturamento.

Qual o impacto desta mudança no Gmail para os anunciantes?

Os e-mail marketers não poderão mais obter informações das imagens. Eles irão receber uma unica informação do Google, que será usada para mandar as mesmas informações para todos os usuários do Gmail. A não ser que você clique em algum link de fato os anunciantes não terão a menor ideia se suas imagens foram se quer abertas. Sempre que você clica no “mostrar imagens” um pixel de marcação é carregado para registrar que a imagem foi vista pelo usuário. Esta é uma das principais métricas das campanhas de e-mail marketing. Além do que diversas ofertas do E-Mail marketing são mecanismos de retargeting e chegam até você através de um conjunto de dados. Dados estes que serão limitados e deixarão de trazer uma boa experiência para o usuário. A melhoria na privacidade que o Google está propondo faz com que o gigante do Search, mais do que nunca tenha mais controle sobre os e-mails do Gmail e seu conteúdo.

Agora vamos parar para pensar. Qual a outra alternativa aos anunciantes para impactar usuários do Gmail?

Links patrocinados.

Há não muito tempo atrás o Google falou que os links patrocinados iriam tomar um espaço nos e-mails do Gmail, até os corporativos.

Uma vez que uma indústria que tem se mostrado extremamente eficiente com o uso do e-mail marketing perder métricas de sucesso e mensuração de suas campanhas (dados), automaticamente terão que investir mais em outros meios de divulgação para suprir o gap deixado pelo e-mail marketing.

Uma manobra que fortifica ainda mais o Google. Que dentro do landscape digital aposta no crescimento horizontal.

Não li absolutamente nada sobre isso aqui no Brasil (talvez porque eu esteja fora dos “microblogs”), mas o que me deixa extremamente espantad é que nos reports da eMarketer deste ano, o que mais se viu foi o crescimento do e-commerce e a previsão otimista para os próximos anos. Nos painéis de discussão e palestras ao longo do ano todos falaram sobre o potencial incrível do e-commerce, mas nada se falou da mudança no Gmail, que impacta diretamente este segmento quando o assunto é marketing digital.

Lá fora há uma discussão intensa sobre esta mudança. A cobrança dos anunciantes é grande. A manobra foi estratégica, sim, mas um movimento que vai contra a saúde de uma indústria bilionária posiciona o Google como inimigo em mais um “silo” desta cadeia de valor.

Tem uma frase do Martin Sorrel, CEO da WPP que faz sentido neste cenário:

Sorrell said, because “you wouldn’t entrust your media plan to a legacy media owner so why would you trust Facebook or Google? Google sells Google. Facebook sells Facebook. Twitter sells Twitter.”

Fica a reflexão para o final do ano…

About Luis Felipe Grassitelli

Trabalhando com as plataformas de monetização do Google para os maiores veículos digitais da América Latina. Passou pela área de mídias digitais e plataformas na Rede Globo e foi coordenador de produtos de Ad Tech e especialista de mercado na Predicta.É Co-Fundador do Digitalking e louco por natureza. Empreendedor que joga poker, anda de skate, escreve, joga bola, lê e escuta muita música.