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A minha avaliação para a Lulu

A minha avaliação para a Lulu

Sem dúvidas, esta semana foi a semana da Lulu. Pelos corredores do trabalho, na mesa de bar, na rua, no shopping, no carro, em todo lugar. Tadinha da Lulu, deve estar com a orelha quente.

Todas as mulheres que compartilham seus gostos com a Lulu não a conhecem. Em compensação a Lulu sabe tudo sobre elas. Pelo simples fato de que todas elas começaram a compartilhar informações sigilosas e pessoais sobre seus costumes sexuais, interesses e comportamento.

Por falta de analogia melhor é como ir ao confessionário e o Padre anotar tudo o que você fala num caderninho para poder divulgar na missa depois – o que neste caso, seria um escândalo religioso (rs).

Se pararmos para pensar, só neste ano presenciamos diversos app’s que fizeram tremendo sucesso. Alguns fizeram muito barulho e depois cairam no esquecimento e alguns foram vendidos por quantias inimagináveis.

E acho que a pergunta que todo desenvolvedor/fundador se faz quando atinge este sucesso é: E agora, como vou ganhar dinheiro com isso?

No caso da Lulu – e motivo deste texto aqui no Digitalking – a resposta para mim é clara: Dados de perfil de usuários.

Apesar de o aplicativo não trabalhar com Big Data (e por isso passar por problemas de escalabilidade), a quantidade de dados e informações super específicas (e pessoais), em grande quantidade e de diversas fontes diferentes estão sendo armazenadas. E o melhor de tudo é que são dados de altíssima precisão e confiabilidade, uma vez que não há inferição de dados. São as próprias mulheres que estão falando o que pensam, o que gostam e o que querem. Estes dados, trabalhados em uma estrutura de Big Data vale muito dinheiro em diversos mercados, inclusive o digital. Transformar todos esses dados em informação, com certeza deve ser a estratégia de negócio dos fundadores do Lulu.

Aqui no Brasil já criaram o Tubby, aplicativo que promete fazer exatamente a mesma coisa que o Lulu, mas para homens avaliarem as mulheres. E tenho certeza que a estratégia comercial é a mesma. Tratamento, armazenamento e qualificação de dados de usuários para venda.

A privacidade (a falta de) é um assunto que está em pauta e com muito peso em diversos segmentos. O que uma empresa pode ou não colher de informações e o que ela pode fazer com elas é o principal tópico dos fóruns de privacidade na internet. Acontece que, quando promovemos a ação humana, mesmo que através de um aplicativo, este assunto toma menos importância. As mulheres (usuários) não estão sentando nas mesas de bar e em restaurantes para comentar sobre a privacidade delas e sim sobre o ex-namorado daquela menina que ela não gosta que está super bem ranqueado no aplicativo.

O assunto é importante e muitas vezes passa desapercebido, ou por uma boa estratégia de marketing ou por ignorância dos usuários com o assunto ou os dois. Mérito dos fundadores do Lulu que souberam aproveitar a oportunidade e o momento.

#BuracoÉMaisEmBaixo #PadreEspião #NoAnonimatoÉMaisGostoso #BigData$ #FofocaPraMulherÉSuce$$o

 

About Luis Felipe Grassitelli

Trabalhando com as plataformas de monetização do Google para os maiores veículos digitais da América Latina. Passou pela área de mídias digitais e plataformas na Rede Globo e foi coordenador de produtos de Ad Tech e especialista de mercado na Predicta.É Co-Fundador do Digitalking e louco por natureza. Empreendedor que joga poker, anda de skate, escreve, joga bola, lê e escuta muita música.